Começar a terapia

Como escolher um psicólogo: o que conferir e o que perguntar

Como conferir o registro do psicólogo, o que quer dizer "especialista", o que a pesquisa diz sobre abordagens e vínculo, e quais sinais pedem cuidado.

Resposta rápida

Comece pelo registro no Conselho Regional de Psicologia (CRP). O Conselho Federal de Psicologia (CFP) orienta buscar a pessoa no Cadastro Nacional, por nome, Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou número do CRP. O registro deve estar ativo. Depois, pergunte sobre experiência e forma de trabalhar. Para queixas comuns, as abordagens reconhecidas têm, em média, resultados parecidos, mas alguns problemas pedem técnicas específicas. Desconfie de promessas de resultado. E observe se você se sente ouvido: uma boa relação está ligada a melhores resultados em todas as abordagens.

Escolher um psicólogo costuma seguir uma ordem. Primeiro você define o que procura. Depois confere quem pode atender, entende as linhas de trabalho e o que a pesquisa diz sobre elas. Por fim, faz o primeiro contato sabendo o que perguntar e o que seria um sinal de alerta.

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Antes de procurar: o que você busca

O primeiro passo não é uma lista de nomes. É saber, mesmo por alto, o que você quer cuidar e como prefere ser atendido. Três perguntas ajudam:

  • O que me trouxe até aqui? Pode ser algo definido, como crises de ansiedade, ou algo vago, como um cansaço que não passa. Os dois servem de ponto de partida.
  • Prefiro atendimento online ou presencial? O online amplia as opções; o resumo está em Online ou presencial?.
  • Tenho alguma preferência sobre quem vai me atender? Gênero, idade, cultura, fé ou experiência com a vida fora do Brasil, por exemplo. Preferências assim são legítimas e contam.

Você não precisa ter as respostas prontas, nem estar no limite: veja Preciso estar no meu limite para procurar terapia?

Se você ainda está em dúvida entre psicólogo, psiquiatra ou psicanalista, veja Psicólogo ou psiquiatra: qual procurar primeiro?. Vale lembrar que um psicólogo também pode trabalhar com psicanálise.

Com isso em mente, o passo seguinte é garantir que a pessoa é, de fato, psicóloga.

Como conferir o registro no CRP

Segundo o CFP, para trabalhar como psicólogo é preciso ser formado em Psicologia e ter inscrição ativa no CRP do estado onde atua. Para conferir:

  1. Tenha em mãos o nome completo e o número do CRP. Pelo Código de Ética do psicólogo e pela resolução do CFP sobre psicoterapia, quem divulga seus serviços deve informar os dois. Se o perfil ou o anúncio não traz o número, peça.
  2. Busque no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, que reúne os inscritos de todos os conselhos regionais. A busca é por nome, CPF ou número de registro.
  3. Veja se o registro está ativo. Esse é o ponto principal.

No número, a parte antes da barra indica a região: em “CRP 13/12420”, o 13 é o conselho da Paraíba.

Quem se apresenta como psicólogo sem registro ativo comete exercício ilegal da profissão, que é contravenção penal, segundo o CFP. Nesse caso, você pode comunicar o fato ao CRP ou às autoridades. Quem atende online precisa do mesmo registro. Os cuidados próprios desse formato, como confirmar a identidade a distância, estão em como saber se o psicólogo online é de verdade.

Em perfis e anúncios, ao lado do número, às vezes aparece a palavra “especialista”. Ela tem um sentido preciso.

O que significa “psicólogo especialista”

Para o CFP, especialista é um registro de área de atuação, e não de linha teórica. Pela regra em vigor desde 2023, são 13 especialidades, como Psicologia Clínica, Neuropsicologia e Psicologia Hospitalar.

O título exige dois anos de profissão e uma especialização reconhecida ou aprovação em concurso do CFP. O pedido é feito ao CRP, e cada psicólogo pode ter até duas especialidades. Uma pós-graduação não dá o título automaticamente.

Três pontos ajudam a ler um perfil:

  • O título não é obrigatório para atender. Todo psicólogo com registro ativo pode fazer psicoterapia.
  • Não existe título do CFP de “especialista em terapia cognitivo-comportamental (TCC)” ou “em psicanálise”. Formações numa abordagem são oferecidas por instituições de ensino e associações, e não são título do conselho.
  • O psicólogo só pode divulgar títulos que tem, diz o Código de Ética.

Se a linha teórica não é um título, vale entender o que ela é.

As principais abordagens, em visão geral

Abordagem é a linha teórica que orienta o trabalho: como o psicólogo entende o sofrimento e o que faz na sessão. A resolução do CFP sobre psicoterapia exige abordagens “admitidas cientificamente”. Ela não traz uma lista, mas pede fundamentação científica e benefícios à saúde comprovados na literatura.

As abordagens costumam ser agrupadas em grandes famílias. A tabela segue a Associação Americana de Psicologia (APA) e duas fontes britânicas. Nela, ACT é a sigla de terapia de aceitação e compromisso.

Família Em uma linha Exemplos
Cognitivo-comportamental Ajuda a mudar a forma de pensar e de agir diante do que faz sofrer TCC, terapias com exposição, ativação comportamental; terapias “de terceira onda”, que trabalham aceitação e atenção plena, como a ACT
Psicanalítica e psicodinâmica Busca mudar padrões entendendo seus significados inconscientes Psicanálise; psicoterapia psicodinâmica, breve ou longa
Humanista O terapeuta não se coloca como autoridade sobre o que você vive por dentro Abordagem centrada na pessoa, Gestalt-terapia, terapia focada nas emoções
Sistêmica Olha para as relações e ajuda pessoas próximas a se entender e se apoiar; também atende uma pessoa só Terapia familiar, terapia de casal, terapia sistêmica individual

Muitos psicólogos são integrativos e combinam elementos de várias linhas, lembra a APA. Por isso, mais útil que o rótulo é pedir que o profissional explique como trabalha.

Diante de tantas linhas, a pergunta natural é se alguma funciona melhor.

A abordagem importa? O que a pesquisa diz

Para problemas comuns, como depressão, ansiedade e sofrimento do dia a dia, a resposta curta é: em média, as abordagens estabelecidas têm resultados parecidos. O tema, porém, é debatido, e há exceções importantes.

O que aproxima as abordagens. Uma grande comparação reuniu 331 estudos, com mais de 34 mil pessoas com depressão. Oito tipos de psicoterapia foram melhores que o cuidado usual e que a lista de espera. Com exceção do aconselhamento de apoio, menos eficaz, elas não diferiram de forma significativa entre si. Para os autores, a preferência da pessoa e a disponibilidade de profissionais podem pesar mais na escolha.

O que o outro lado aponta. A TCC é a abordagem com mais estudos. Ter mais estudos, porém, não é o mesmo que ser a única que funciona. Uma revisão sobre terapias humanistas as achou, em geral, equivalentes às outras, com uma vantagem pequena e incerta da TCC. Mas boa parte dessas comparações tinha sido feita por pesquisadores da própria TCC. A lealdade do pesquisador à sua escola é uma questão em todas as abordagens.

Quando as diretrizes indicam algo específico. Em alguns quadros, as diretrizes recomendam técnicas definidas, sobretudo as baseadas em exposição:

  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). A diretriz britânica, do Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (NICE), indica TCC com exposição e prevenção de resposta. Para outras terapias, diz não haver evidência convincente de efeito clinicamente importante.
  • Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), em adultos. A diretriz da APA, atualizada em 2025, põe em primeira linha três formas de TCC. A dessensibilização e reprocessamento por movimentos oculares (EMDR) fica em segunda linha. Pesquisadores do EMDR criticam essa posição: para eles, a APA destoa de outras diretrizes nacionais e internacionais.
  • Ansiedade, fobias e pânico. As recomendações estão em Tratamento para ansiedade e em Síndrome do pânico.

Na prática: se você já tem um diagnóstico como esses, vale perguntar se o profissional trabalha com a técnica indicada. Nos demais casos, a sua preferência e a afinidade com quem atende ganham peso.

Se a linha teórica explica só parte da história, vale olhar para a relação.

A relação, o profissional e as suas preferências

A aliança terapêutica

Aliança terapêutica é a parceria entre você e o psicólogo: sentir-se ouvido, ter objetivos combinados e confiar no processo. Uma meta-análise com mais de 30 mil pacientes ligou uma aliança melhor a resultados melhores. A ligação apareceu em todas as abordagens, em vários problemas e também no atendimento pela internet.

Há duas ressalvas. A ligação é moderada: a aliança está associada a cerca de 8% das diferenças nos resultados. E é uma associação: os próprios autores dizem que os dados não provam que ela cause a melhora. Eles recomendam combinar metas cedo e conversar abertamente quando a relação se desgasta.

Quem atende também faz diferença

Psicólogos da mesma abordagem não têm todos os mesmos resultados. Uma revisão de 20 estudos encontrou esse “efeito do terapeuta” em 19 deles. Em média, ele explicou cerca de 5% das diferenças nos resultados. Um estudo com 80 terapeutas dá uma pista do motivo: alguns profissionais formam boas alianças com a maioria dos pacientes.

Cinco por cento é pouco. Boa parte do resultado depende de você, da sua vida e do problema. Escolher bem ajuda, mas não decide tudo.

As suas preferências contam

Uma meta-análise de 53 estudos avaliou o efeito de respeitar a preferência de quem busca terapia: pelo tipo de terapia, pela forma de trabalhar ou pelo terapeuta. O efeito no resultado foi pequeno. Mas quem foi atendido conforme a preferência abandonou menos o tratamento.

Isso inclui a afinidade cultural. Em estudos feitos nos Estados Unidos, muitas pessoas preferiram um terapeuta da mesma origem étnica e o avaliaram um pouco melhor. No resultado do tratamento, porém, quase não houve diferença. Buscar alguém que entenda o seu contexto é legítimo e pode deixar você mais à vontade. O que conta, no fim, é a relação que se forma.

Imagine alguém que mora no exterior e quer falar da saudade em português, com quem conheça a vida de quem emigrou. Faz sentido levar isso em conta. Mais sobre esse caso em Ansiedade morando fora do Brasil.

Quando pensar em trocar de psicólogo

Pode levar tempo encontrar alguém com quem você se entenda, lembra a Mind, organização britânica de saúde mental. Antes de trocar, dê algumas sessões e, se puder, fale do desconforto com o próprio psicólogo. Conversar sobre a relação faz parte do trabalho.

Se ainda assim não funcionar, trocar é legítimo. Pela resolução do CFP sobre psicoterapia, o contrato deve deixar claro que o atendimento pode ser interrompido a qualquer momento. Você também pode pedir a indicação de outro profissional: pelo Código de Ética, orientar o encaminhamento é dever do psicólogo.

Desconforto é uma coisa. Há situações, porém, que são sinal de alerta desde o início.

Sinais de alerta

O Código de Ética do psicólogo e a resolução sobre psicoterapia ajudam a separar o que é só estranho do que é proibido. Fique atento se o profissional:

  • não informa o número do CRP, ou o registro não aparece ativo no Cadastro Nacional;
  • promete cura ou resultado garantido, como “resolve em dez sessões” (o Código proíbe a previsão taxativa de resultados);
  • pressiona você a contratar, por exemplo com insistência em pacotes;
  • usa o preço como forma de propaganda, por exemplo com promoções (o Código também proíbe);
  • não explica como vai funcionar: objetivos, frequência, duração e valor da sessão;
  • tenta convencer você de crenças religiosas, políticas ou morais;
  • propõe amizade, namoro, negócios ou outra relação fora do atendimento;
  • pede favores, presentes ou empréstimos;
  • prolonga o atendimento sem objetivo e sem conversar sobre o andamento;
  • oferece, como psicólogo, práticas sem reconhecimento científico;
  • propõe “tratar” ou “curar” a orientação sexual de alguém. Uma resolução do CFP, de 1999, proíbe psicólogos de colaborar com esse tipo de serviço.

Um exemplo é a constelação familiar. Em nota técnica de 2023, o CFP a considerou, “no momento, incompatível com o exercício da Psicologia”. Nota técnica é uma orientação do Conselho aos psicólogos, e não uma resolução nem uma lei. A prática está na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), do Ministério da Saúde. O CFP diz que a nota não é contra essas práticas: o ponto é que, para o Conselho, ela não faz parte do trabalho do psicólogo.

Se algo grave acontecer, existe um caminho formal.

Como denunciar ao CRP

A denúncia vai ao CRP do estado onde o fato aconteceu, e o CFP julga os recursos. Ela descreve os fatos com detalhes, reúne provas e informa se há interesse em mediação.

Na Paraíba, o CRP-13 oferece dois caminhos:

  • Queixa à Comissão de Orientação e Fiscalização: é uma análise inicial, sigilosa e com anonimato garantido. Quem faz a queixa não é parte do processo nem recebe retorno.
  • Denúncia à Comissão de Ética: exige identificação e um pedido formal assinado. Quem denuncia é parte e acompanha o processo, que corre em sigilo.

A queixa é enviada por e-mail. A denúncia à Comissão de Ética pode ir por e-mail ou ser feita na sede do CRP-13. Não há formulário online. O CRP-13 recomenda autenticar em cartório os prints e áudios usados como prova. Em outros estados, procure o CRP local.

Na maior parte das vezes, porém, a escolha é tranquila e começa com uma mensagem.

O que perguntar no primeiro contato

Antes de marcar, uma mensagem ou ligação curta resolve o essencial. Três pontos bastam:

  • o número do CRP, para conferir no Cadastro Nacional;
  • se a pessoa tem experiência com o que você está vivendo, e como costuma trabalhar;
  • se o formato serve para você: online, presencial ou os dois.

Se quiser, pergunte também sobre honorários e atendimento por plano de saúde. Confirmados o registro e a experiência, a APA sugere escolher alguém com quem você se sinta confortável e à vontade.

Frequência, faltas, sigilo e como acompanhar o andamento são combinados na primeira sessão. As perguntas para esse encontro estão em O que perguntar na primeira sessão.

O formato do atendimento merece uma palavra à parte.

Online ou presencial?

Para quem está escolhendo, o online amplia as opções. Dá para buscar a experiência ou a afinidade que você procura mesmo morando longe, inclusive fora do Brasil. Em algumas situações, como as de risco ou de violência, vale considerar o presencial, junto com o online ou no lugar dele.

Se a terapia por vídeo funciona e como pesar os dois formatos está em Como decidir entre online e presencial. Para conferir quem atende a distância, veja Terapia online é confiável?. E, para as sessões por vídeo, como se preparar para a videochamada.

Por fim, as dúvidas que mais aparecem nas buscas.

Dúvidas frequentes

Como saber se um psicólogo é bom?

Não existe um ranking. No começo, observe registro ativo, combinados claros, nenhuma promessa de resultado e uma explicação de como trabalha. Com o tempo, pesa se você se sente ouvido, se o andamento é revisto com você e se há encaminhamento quando é preciso.

TCC ou psicanálise: qual é melhor?

Não há uma vencedora para todos os casos. Para queixas comuns, os resultados médios são parecidos, como mostra o que a pesquisa diz. Em quadros como o TOC e o TEPT, as diretrizes indicam técnicas específicas. Para a ansiedade, a comparação está em TCC ou psicanálise para ansiedade.

Para quem é indicada a psicanálise?

A psicanálise e as terapias psicodinâmicas buscam entender padrões e seus significados inconscientes, muitas vezes ligados à história de vida. Costumam combinar com quem quer explorar esse caminho. Uma revisão ampla e recente achou a terapia psicodinâmica tão eficaz quanto outras terapias ativas em depressão, ansiedade, transtornos de personalidade e sintomas no corpo. Ela foi feita por pesquisadores da área e, como em todas as abordagens, há ressalvas. O que serve para o seu caso depende de avaliação e da sua preferência.

O que a pesquisa diz, e o que ainda não se sabe

Bem estabelecido: as psicoterapias reconhecidas funcionam e, para queixas comuns, têm em média resultados parecidos. Uma boa aliança terapêutica está ligada a melhores resultados em todas as abordagens. Ser atendido conforme a própria preferência esteve ligado a menos abandono.
Consenso das diretrizes: em quadros como TOC e TEPT, há técnicas específicas recomendadas.
Ainda em aberto:

  • Por que a terapia funciona. Uma revisão concluiu que nenhum fator, comum a todas as abordagens ou específico de uma, foi comprovado como causa da melhora.
  • Se a aliança causa a melhora ou acompanha a melhora.
  • Se a pequena vantagem da TCC em algumas comparações é real ou reflete quem fez as pesquisas.
  • O lugar do EMDR no TEPT: a diretriz dos Estados Unidos o põe em segunda linha, e pesquisadores do EMDR contestam essa posição.

Onde buscar ajuda

  • Emergência: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), 192, Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou pronto-socorro.
  • Pensamentos de se machucar ou de não querer viver: Centro de Valorização da Vida (CVV), 188: gratuito, sigiloso e 24 horas por telefone. Também há chat em cvv.org.br, em horários definidos. É apoio emocional e não substitui tratamento.
  • Sem condições de pagar: Unidade Básica de Saúde (UBS, o posto de saúde) e clínicas-escola de universidades. Veja onde procurar um psicólogo, inclusive sem pagar.
  • Dúvida ou denúncia sobre um profissional: o CRP do estado onde o fato aconteceu (na Paraíba, o CRP-13). Veja como denunciar.

Quer conversar sobre isso?

Se você quer conversar sobre começar a terapia, Romil atende online, para todo o Brasil e para brasileiros no exterior, e presencialmente na Paraíba.

Conversar pelo WhatsApp

O WhatsApp não é canal de emergência: em crise, ligue 192 ou 188.

Autor: Romil Costa da Silva — Psicólogo, CRP 13/12420 · Conheça o psicólogo
Publicado em: 20/10/2026
Como este texto foi feito: Elaborado com apoio de ferramentas de inteligência artificial, a partir das diretrizes e dos estudos listados abaixo, sob responsabilidade de Romil Costa.
Conteúdo informativo. Não substitui uma avaliação individual.

Fontes

Normas e orientações dos conselhos de Psicologia

Diretrizes e organizações de saúde

Estudos

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