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Mudanças de humor fazem parte da adolescência. O que pede atenção é quando a irritação ou a tristeza duram semanas, o adolescente perde o interesse pelo que gostava, se isola e a escola, o sono ou as amizades são afetados. Conversar sem julgamento e procurar uma avaliação são os primeiros passos.
O texto começa pelo que é esperado da idade e pelos sinais que pedem atenção. Depois mostra como conversar com seu filho e como é o tratamento. No fim, fala de escola, celular e dos sinais de urgência.
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Fase ou depressão?
A adolescência é um período de muitas mudanças. Querer mais privacidade, discordar dos pais, ficar mais tempo no quarto e ter dias de mau humor é esperado.
O que diferencia a depressão é o conjunto e a duração. Os sinais ficam na maior parte do dia, quase todos os dias, por duas semanas ou mais, e começam a atrapalhar a vida dele.
Uma pergunta ajuda: ele ainda tem momentos de alegria, amigos e interesses? Na fase, sim. Na depressão, isso vai sumindo.
Vale conhecer os sinais mais comuns nessa idade, porque eles nem sempre parecem tristeza.
Sinais de depressão na adolescência
Nos adolescentes, a depressão aparece muitas vezes como irritação, e não como choro. Os manuais de diagnóstico reconhecem isso: nessa idade, o humor pode ser irritável em vez de triste.
Outros sinais comuns:
- perder o interesse por esportes, jogos, música ou amigos de que gostava;
- se isolar da família e dos amigos;
- queda no rendimento escolar, faltas ou recusa em ir à escola;
- dormir demais ou de menos, e mudanças no apetite;
- cansaço e falta de energia constantes;
- falar mal de si mesmo, com culpa ou sensação de não valer nada;
- dores de cabeça ou de barriga frequentes, sem causa clara;
- uso de álcool ou de outras drogas.
Nenhum sinal sozinho fecha diagnóstico. Uma lista mais completa, para todas as idades, está em sintomas de depressão.
Ansiedade e depressão costumam aparecer juntas também nessa idade. Se o que mais chama a atenção é medo e preocupação, veja ansiedade na adolescência.
Alguns adolescentes têm mais chance de passar por isso.
O que aumenta o risco
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão atinja cerca de 1,3% dos adolescentes de 10 a 14 anos e 3,4% dos de 15 a 19 anos no mundo.
Entre os fatores que aumentam o risco, a OMS cita:
- violência, incluindo violência sexual e bullying;
- criação muito dura ou abuso na infância;
- uso nocivo de álcool;
- problemas financeiros na família;
- discriminação;
- doenças crônicas.
Histórico de depressão na família também pesa. Ter um fator de risco não significa que o adolescente vai ter depressão, mas vale ficar mais atento.
Notou sinais? O próximo passo é conversar.
Como conversar com seu filho
Muitos adolescentes não falam sobre o que sentem por vergonha, por medo de preocupar os pais ou porque não sabem dar nome ao que sentem. Algumas atitudes ajudam a abrir espaço:
- Escolha um momento tranquilo. Conversas no carro, numa caminhada ou cozinhando juntos costumam fluir melhor que uma conversa “séria” na sala.
- Diga o que você notou, sem acusar. “Tenho te visto mais cansado e quieto. Estou preocupado com você.”
- Ouça mais do que fale. Evite corrigir ou dar conselhos logo de cara.
- Leve a sério. Frases como “isso é coisa da idade” ou “você não tem motivo para ficar assim” fecham a conversa.
- Insista com carinho. Se ele não quiser falar, diga que você está disponível e volte ao assunto outro dia.
Se surgir algo sobre se machucar ou sobre morte, pergunte com calma e diretamente. Perguntar não coloca a ideia na cabeça dele, e ouvir a resposta ajuda a decidir o que fazer. Veja a seção É urgente?.
Mais ideias sobre o que dizer e o que evitar estão em como ajudar alguém com depressão.
Conversar é importante, mas não substitui a avaliação de um profissional.
Como é o tratamento
O primeiro passo é uma avaliação com um psicólogo ou um médico que atenda adolescentes. Também vale passar por um pediatra ou clínico para descartar outras causas, como problemas da tireoide.
A terapia é o primeiro tratamento indicado. A OMS recomenda dar prioridade a abordagens sem remédio nessa faixa de idade. Na terapia, o adolescente aprende a entender o que sente, a lidar com pensamentos negativos e a voltar aos poucos para as atividades.
Os pais participam. Em geral, o psicólogo conversa com os responsáveis em alguns momentos. O que o adolescente fala na sessão é sigiloso, e os pais recebem as orientações necessárias. Esse sigilo tem limite: se houver risco para a vida dele, os responsáveis são informados.
Remédio, só com avaliação médica. Em alguns casos, um psiquiatra da infância e adolescência pode indicar remédio, sempre junto com a terapia e com acompanhamento próximo, principalmente no início.
Para entender como funciona o primeiro encontro, veja como é a primeira sessão. Sobre a busca de ajuda para crianças e adolescentes, veja quando procurar psicólogo. A visão geral de tratamento está em tratamento para depressão.
No dia a dia, a escola e o celular costumam entrar na conversa.
Escola e celular
Escola. Avise a escola se o adolescente estiver em tratamento ou com dificuldades. Professores e coordenação podem ajustar prazos, observar sinais e informar sobre bullying. Faltas frequentes e queda nas notas costumam ser um dos primeiros sinais.
Celular e redes sociais. A relação entre redes sociais e depressão em adolescentes ainda é estudada, e as conclusões não são simples. Em vez de proibir de uma vez, observe:
- se o uso está tirando horas de sono;
- se há exposição a bullying, comparação constante ou conteúdo sobre automutilação;
- se o celular virou a única forma de contato com outras pessoas.
Combinar regras junto com o adolescente, como deixar o celular fora do quarto à noite, funciona melhor que impor.
Alguns sinais, porém, não podem esperar.
Quando é urgente
Procure ajuda no mesmo dia se o adolescente:
- fala em morrer, em se matar ou em ser um peso;
- tem marcas de que está se machucando;
- se despede de pessoas ou dá objetos importantes;
- não consegue mais comer, se levantar ou cuidar do básico.
O que fazer:
- Não deixe o adolescente sozinho.
- Afaste objetos e remédios que possam ser usados para se machucar.
- Procure ajuda: SAMU 192, UPA ou pronto-socorro.
- Para conversar agora: CVV 188, gratuito, sigiloso e 24 horas por telefone. Também há chat em cvv.org.br, em horários definidos.
Pensamentos de morte são um sinal de sofrimento, e costumam diminuir com tratamento.
Dúvidas frequentes
Adolescente pode ter depressão mesmo sem motivo aparente?
Sim. A depressão pode surgir sem um fato evidente. Isso não a torna menos real.
Meu filho não quer ir ao psicólogo. E agora?
Explique que é uma conversa, não um castigo, e que ele pode falar sobre o que quiser. Às vezes ajuda deixar que ele participe da escolha do profissional. Se houver sinais de urgência, a busca de ajuda não pode esperar a concordância dele.
A culpa é dos pais?
Não. A depressão tem várias causas. O que os pais podem fazer é notar os sinais, apoiar e buscar ajuda.
A terapia pode ser online?
Pode, a depender da idade, da situação e da avaliação do profissional. Em situações de risco, o atendimento presencial ou de urgência vem primeiro.
O que a pesquisa diz, e o que ainda não se sabe
O que está bem estabelecido: a depressão é uma das principais causas de sofrimento e de incapacidade entre adolescentes. A terapia é o primeiro tratamento indicado nessa idade, segundo a OMS. Nos adolescentes, a irritação pode ocupar o lugar da tristeza.
O que ainda está em aberto: o papel das redes sociais ainda é discutido, e os estudos chegam a conclusões diferentes. Os números da OMS são estimativas mundiais e podem ser diferentes no Brasil.
Onde buscar ajuda
- Emergência: SAMU 192, UPA ou pronto-socorro.
- Apoio emocional: CVV 188, gratuito, sigiloso e 24 horas por telefone. Também há chat em cvv.org.br, em horários definidos.
- Para começar: a Unidade Básica de Saúde (UBS), um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), quando houver na sua cidade, ou um psicólogo. Veja opções em atendimento gratuito ou de baixo custo.
- Na escola: a coordenação pedagógica e, quando houver, o psicólogo escolar.
Quer conversar sobre isso?
Se você notou mudanças no seu filho e quer orientação, Romil atende adolescentes online, para todo o Brasil, e presencialmente na Paraíba.
Conversar pelo WhatsAppO WhatsApp não é canal de emergência: em crise, ligue 192 ou 188.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Mental health of adolescents. Fact sheet, 2025. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-mental-health
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Depressive disorder (depression). Fact sheet, 2026. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/depression
- National Institute of Mental Health (NIMH). Depression. NIH Publication No. 24-MH-8079, revisão de 2024. https://www.nimh.nih.gov/health/publications/depression
- Dazzi T, Gribble R, Wessely S, Fear NT. Does asking about suicide and related behaviours induce suicidal ideation? What is the evidence? Psychological Medicine, 2014. https://www.cambridge.org/core/product/FCAEE9E5BC840D76CF10AEBECD921AC9
- Centro de Valorização da Vida (CVV). https://cvv.org.br/
