Resposta rápida
Ligue para o SAMU (192) se houver dor no peito que se espalha para o braço, o pescoço ou as costas, desmaio ou falta de ar grave, ou se for a primeira vez. Sem sinal de alerta: respire mais devagar, sem forçar e sem prender o ar. Deixe a onda passar em vez de brigar com ela. A crise costuma chegar ao pico em poucos minutos, e a maioria passa em 5 a 20 minutos.
Este texto foi pensado para ser útil no pior momento. Se você está em crise agora, confira rapidamente a lista de emergência e siga o passo a passo. Se está ajudando outra pessoa, há uma seção só para isso. Depois, com mais calma, explicamos o que acontece no corpo durante uma crise, os cuidados com crianças e na gravidez e o que observar quando ela passa.
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Antes de tudo: pode ser uma emergência médica?
Os sintomas de uma crise de ansiedade podem ser muito parecidos com os de um problema no coração ou nos pulmões. Segundo o Ministério da Saúde, ligue para o SAMU (192) se houver:
- dor, aperto ou peso no peito que se espalha para o braço, o pescoço, a mandíbula, as costas ou o estômago;
- dor no peito que dura mais de 20 minutos, piora ou não alivia com repouso;
- dor no peito com suor frio, enjoo, vômito, falta de ar ou desmaio;
- desmaio ou perda de consciência;
- falta de ar grave ou lábios arroxeados;
- fraqueza ou formigamento de um lado do corpo, fala enrolada ou alteração súbita da visão.
Procure atendimento médico no mesmo dia se:
- for a primeira vez que você sente algo assim;
- os sintomas forem diferentes das crises que você já conhece;
- a crise não melhorar mesmo depois de usar as estratégias abaixo;
- você tem doença no coração ou no pulmão, diabetes ou mais idade;
- usou recentemente drogas, estimulantes ou começou um remédio novo.
Em mulheres, pessoas idosas e pessoas com diabetes, o infarto pode vir sem a dor típica no peito: com falta de ar, enjoo, dor nas costas ou na mandíbula. Não atribua esses sinais à ansiedade sem avaliação médica.
Se você já teve crises avaliadas por um médico e esta é igual às anteriores, as estratégias abaixo costumam bastar. Se algo estiver diferente (outra dor, mais forte, mais longa) ou se você ficar na dúvida, trate como emergência.
Estudos mostram que nem a própria pessoa nem o médico conseguem diferenciar uma crise de ansiedade de um problema cardíaco só pelas características da dor. É preciso examinar. Na dúvida, ligue para o 192.
Sem nenhum desses sinais, siga o passo a passo abaixo.
O que fazer na hora: passo a passo
1. Fique em segurança. Se estiver dirigindo, encoste assim que for seguro. Se estiver num lugar perigoso ou muito tumultuado, vá para um canto mais tranquilo.
2. Dê nome ao que está acontecendo. Diga para si, se possível em voz baixa: “É uma crise. É muito desconfortável, mas vai passar.” Ler as sensações como um alarme falso, e não como perigo, ajuda a atravessar a crise com menos medo.
3. Respire mais devagar, sem forçar. Numa crise, a tendência é respirar rápido demais, e isso provoca boa parte da tontura, do formigamento e da sensação de falta de ar. O objetivo é respirar mais devagar, e não mais fundo. Órgãos de saúde como o NHS britânico e o Ministério da Saúde recomendam:
- ponha uma mão na barriga e inspire pelo nariz contando até 4, deixando a barriga subir;
- solte o ar devagar contando até 6, sem prender a respiração em nenhum momento;
- repita por alguns minutos.
A contagem é só um guia. Se ficar desconfortável, use números menores. O que importa é desacelerar.
4. Deixe a onda passar, em vez de lutar contra ela. Tentar “parar à força” costuma aumentar a tensão. Observe as sensações como uma onda: sobe, chega ao pico e desce. São intensas, mas não são perigosas.
5. Solte o corpo. Baixe os ombros, solte a mandíbula, apoie bem os pés no chão.
6. Se ajudar, preste atenção ao que está à sua volta. Nomeie mentalmente algumas coisas que você vê e ouve. Use isso para atravessar o momento, e não para fugir das sensações.
7. Depois do pico, dê tempo ao corpo. Beba água, sente-se, descanse. É comum sentir cansaço por algumas horas.
Cartão de crise (tire um print para ter no celular)
- Dor no peito que se espalha, desmaio, falta de ar grave, primeira vez ou diferente do habitual? Na dúvida → 192
- “É uma crise. É desconfortável, mas vai passar.”
- Respire devagar: inspire em 4, solte em 6. Sem prender o ar.
- Não brigue com a onda. Ela sobe, chega ao pico e desce.
- Ombros baixos, mandíbula solta, pés no chão.
- Pensamentos de se machucar ou de não querer viver? → CVV 188 (24 horas, gratuito)
Tão importante quanto o que fazer é saber o que evitar, porque algumas soluções populares atrapalham ou são perigosas.
O que evitar
- Respirar dentro de um saco de papel. Não é recomendado. O saco reduz o oxigênio que você respira. Há registros de mortes quando a técnica foi usada em pessoas que, na verdade, estavam tendo um infarto ou outro problema grave.
- Tomar remédio de outra pessoa, ou qualquer calmante ou produto “natural” por conta própria. Calmantes controlados aliviam rápido, mas podem causar dependência e são perigosos junto com álcool e outros remédios. Decida qualquer medicação com um médico.
- Parar ou mudar por conta própria um remédio que já foi receitado. Se você já usa medicação, siga a orientação de quem prescreveu. Interromper certos calmantes de repente pode causar abstinência, que às vezes é grave.
- Beber álcool para aliviar. É perigoso junto com calmantes e pode virar um jeito automático de lidar com a ansiedade.
- Café ou energético nas horas seguintes. Doses altas de cafeína podem provocar crises em quem já tem tendência a elas.
- Brigar consigo ou se cobrar. Frases como “estou exagerando” ou “preciso me controlar” aumentam a pressão.
- Organizar a vida para fugir das crises. Sair de um lugar perigoso é cuidado. Mas passar a evitar sempre os lugares onde a crise já aconteceu costuma aliviar hoje e manter o medo amanhã. Se você percebeu esse padrão, vale conversar com um profissional.
Se quem está em crise não é você, o seu papel muda um pouco.
Como ajudar alguém que está em crise
Estas orientações seguem a diretriz internacional de primeiros socorros em saúde mental para ataques de pânico (MHFA, 2022).
Primeiro, a segurança. Pergunte se a pessoa tem algum problema de saúde. Ligue para o 192 se houver sinais de emergência (lista acima). Ligue também se ela nunca teve uma crise e não acredita que seja ansiedade.
O que ajuda:
- Fique por perto e fale com calma, devagar, em frases curtas: “Estou aqui com você. Isso vai passar.”
- Se falar estiver difícil para ela, faça perguntas de sim ou não.
- Pergunte como pode ajudar. Muita gente já sabe o que funciona para si.
- Respire devagar junto com ela, se ela quiser.
- Leve-a para um lugar mais calmo e afaste curiosos.
- Se ela não quiser ajuda, respeite e pergunte se quer que alguém seja chamado.
- Depois, confira se ela está bem para ficar sem companhia.
O que não ajuda:
- Dizer “calma”, “não é nada”, “é só controlar” ou “você está exagerando”.
- Criticar, demonstrar pena ou encher de perguntas sobre o que causou a crise.
- Segurar, conter ou tocar sem permissão.
- Insistir em técnicas que a pessoa não quer fazer.
- Oferecer remédio ou bebida alcoólica.
Passado o momento mais difícil, ajuda entender o que acontece no corpo durante uma crise.
Por que o corpo reage assim
A crise é o sistema de alarme do corpo disparando sem um perigo real. É a reação que nos protegeria diante de uma ameaça: o coração acelera, a pressão sobe, a respiração fica rápida.
O que faz a crise crescer é um círculo: o coração dispara, a pessoa pensa “estou tendo um infarto”, o medo aumenta e o coração dispara ainda mais. Entender esse círculo não faz a crise desaparecer, mas ajuda a atravessá-la com menos medo.
Essa reação tem um nome técnico, e ele costuma gerar confusão.
Crise de ansiedade ou ataque de pânico: qual a diferença?
“Crise de ansiedade” é como as pessoas costumam chamar um episódio de ansiedade muito intensa. Não é um termo técnico. O nome usado pelos profissionais para um pico súbito de medo, com sintomas físicos fortes, é ataque de pânico. Na tradução oficial da CID-11 para o português, crise de pânico.
É comum ler que a crise de ansiedade “tem um motivo” e o ataque de pânico “vem do nada”. Essa separação não se sustenta: segundo os critérios diagnósticos, ataques de pânico também podem ter gatilho. Por isso também não há resposta técnica para “qual é pior”. O que fazer na hora é o mesmo nos dois casos.
E o CID? Não existe CID de “crise de ansiedade”.
- Na CID-10, ainda em uso no Brasil, o código F41.0 é o do transtorno de pânico (crises repetidas).
- Na CID-11, que está sendo implantada no país, a crise de pânico isolada aparece como sintoma (MB23.H) e o transtorno de pânico como 6B01.
Esses códigos só são atribuídos por um profissional, depois de uma avaliação.
Algumas situações pedem cuidados a mais.
E em crianças? E na gravidez?
Crianças e adolescentes.
- Fale com voz calma e diga que o que ela sente assusta, mas não faz mal.
- Respire devagar junto com ela, mais ou menos uma respiração a cada 5 segundos, e leve-a para um lugar tranquilo. Não use saco de papel.
- Evite organizar a rotina da família para que ela nunca passe por situações que a assustam: isso tende a aumentar o medo com o tempo.
- Procure o pediatra se as crises nunca foram avaliadas ou se atrapalham a escola, o sono ou as atividades. O transtorno de pânico costuma começar na adolescência.
- Se houver dificuldade forte para respirar ou confusão, ligue para o 192.
Gravidez.
- Use as mesmas estratégias sem remédio e não tome nem suspenda nenhum medicamento por conta própria.
- Conte ao médico do pré-natal sobre as crises.
- Procure atendimento imediato se houver dor de cabeça forte, alteração na visão, dor logo abaixo das costelas, vômitos ou inchaço súbito do rosto, das mãos ou dos pés. Esses sinais podem indicar pré-eclâmpsia, uma complicação da gravidez ligada à pressão alta, e não ansiedade.
Quando a crise passa, alguns cuidados ajudam a entender o que aconteceu.
Depois da crise: o que observar
- Anote, quando puder: onde estava, o que sentiu, o que pensou, quanto durou e o que ajudou. Esse registro mostra padrões e ajuda numa conversa com um profissional.
- Observe o “medo do medo”. Depois de uma crise, é comum ficar em alerta, com receio de que ela volte, e começar a evitar lugares e situações.
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Quando procurar avaliação:
- as crises se repetem;
- você passa semanas com preocupação pela próxima;
- você mudou a rotina para evitá-las.
Esses podem ser sinais de transtorno de pânico. Veja Ansiedade: sinais de que é hora de procurar um psicólogo.
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Existe tratamento. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a psicoterapia com mais evidência para o transtorno de pânico e é tratamento de primeira linha na diretriz britânica (NICE). Segundo o Ministério da Saúde, é também a que tem mais evidência nos transtornos de ansiedade. Em alguns casos, o médico também indica medicação. A resposta varia de pessoa para pessoa. Veja Tratamento para ansiedade.
Por fim, as dúvidas que mais aparecem sobre as crises.
Perguntas frequentes sobre a crise
Uma crise de ansiedade pode matar?
A crise, em si, não é perigosa nem causa dano ao corpo: é o que afirmam o NHS e o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA (NIMH). O cuidado necessário é outro. Como os sintomas se parecem com os de problemas cardíacos, é preciso descartar outras causas, principalmente na primeira vez ou se houver sinais de alerta.
Posso desmaiar?
É muito improvável. O desmaio costuma acontecer quando a pressão cai, e numa crise ela tende a subir. A sensação de que vai desmaiar é comum; o desmaio de verdade, não. A exceção são pessoas com medo intenso de sangue, agulhas ou ferimentos, em quem a pressão pode cair. Se houver desmaio, ligue para o 192.
Vou enlouquecer ou perder o controle?
Não. O medo de enlouquecer ou de perder o controle é um dos sintomas da crise, e não uma consequência dela. Algumas pessoas também sentem estranheza, como se o ambiente ou o próprio corpo parecessem irreais. Essa sensação faz parte da crise e passa com ela. Uma crise de ansiedade não é um “surto psicótico”.
Existe um jeito de acalmar a crise em 1 minuto?
Nenhuma técnica tem comprovação de encerrar uma crise em 1 minuto. As estratégias acima ajudam a atravessar a crise com menos sofrimento enquanto ela segue seu curso natural, que costuma ser de minutos.
A crise aumenta a pressão?
Sim, de forma passageira, como parte da reação de alarme. Quem já tem pressão alta ou doença cardíaca deve combinar com o médico o que fazer nesses momentos. Veja também Sintomas de ansiedade.
Por que dá enjoo, tontura ou formigamento?
Enjoo e desconforto na barriga fazem parte da reação de alarme do corpo. Tontura e formigamento vêm, em boa parte, da respiração acelerada (passo 3).
Quanto tempo dura?
Segundo o NHS, a crise costuma chegar ao pico em poucos minutos e, na maioria das vezes, dura entre 5 e 20 minutos. Às vezes vêm ondas seguidas, ou fica uma ansiedade residual. O cansaço pode durar horas.
Água fria no rosto ajuda?
Pode ajudar algumas pessoas, mas há pouca pesquisa, e há quem não deva usar. Algumas pessoas sentem alívio ao molhar o rosto com água fria por cerca de 30 segundos, ou ao apoiar uma compressa fria nos olhos e nas bochechas. É um recurso usado em algumas terapias. Use água fria, não gelada, e nada de gelo direto na pele. Não use sem orientação médica se você:
- tem doença no coração ou outra condição de saúde;
- toma remédio que reduz os batimentos (como betabloqueador) ou tem os batimentos naturalmente baixos;
- tem alergia ao frio;
- tem ou já teve transtorno alimentar.
Ter uma crise significa que tenho um transtorno?
Não necessariamente. Um levantamento da Organização Mundial da Saúde em 25 países mostrou que cerca de 13 em cada 100 pessoas têm pelo menos um ataque de pânico na vida. Menos de 2 em cada 100 desenvolvem o transtorno de pânico. O que merece atenção é o padrão: crises que se repetem e o medo de ter a próxima. Explicamos a diferença entre uma crise e o transtorno em Síndrome do pânico.
O que a pesquisa diz, e o que ainda não se sabe
Bem estabelecido: a crise em si não causa dano físico. Respirar devagar é a técnica para o momento mais recomendada por órgãos de saúde, com efeito modesto. A TCC é o tratamento psicológico com mais evidência para o transtorno de pânico, embora a qualidade dos estudos vá de baixa a moderada.
Ainda em aberto:
- Quase não há estudos que testem técnicas durante uma crise real. A maioria avalia a prática regular, fora das crises.
- Técnicas populares como o “5-4-3-2-1” e a respiração “4-7-8” têm pouca ou nenhuma pesquisa de qualidade.
- “Crise de ansiedade” não tem definição científica própria.
- A duração de 5 a 20 minutos vem da prática clínica e de relatos, e não de medições sistemáticas.
Onde buscar ajuda
- Emergência médica: SAMU 192, UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ou pronto-socorro.
- Pensamentos de se machucar ou de não querer viver: CVV, 188: ligação gratuita, sigilosa e 24 horas. Também há chat em cvv.org.br, em horários definidos. É apoio emocional e não substitui tratamento.
- Avaliação e acompanhamento: unidade básica de saúde (UBS), psicólogo ou médico. Em quadros graves e persistentes, o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) da sua cidade. Veja onde procurar, inclusive sem pagar.
Quer conversar sobre isso?
Se as crises têm se repetido, converse com Romil sobre o atendimento e consulte a disponibilidade de horários.
Conversar pelo WhatsAppO WhatsApp não é canal de emergência: em crise, ligue 192 ou 188.
Fontes
Diretrizes e órgãos de saúde
- Ministério da Saúde. Linha de Cuidado da Dor Torácica — sou paciente. https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/dor-toracica/sou-paciente/
- Ministério da Saúde. Infarto. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/i/infarto
- Ministério da Saúde. Linha de Cuidado da Ansiedade — planejamento terapêutico (atenção primária). https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/ansiedade/unidade-de-atencao-primaria/planejamento-terapeutico/
- NHS (Reino Unido). Panic disorder. https://www.nhs.uk/mental-health/conditions/panic-disorder/
- NHS. Pre-eclampsia: symptoms. https://www.nhs.uk/conditions/pre-eclampsia/symptoms/
- National Institute of Mental Health (EUA). Panic Disorder: When Fear Overwhelms. https://www.nimh.nih.gov/health/publications/panic-disorder-when-fear-overwhelms
- NICE (Reino Unido). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management (CG113). https://www.nice.org.uk/guidance/cg113
- NICE. Antenatal and postnatal mental health (CG192). https://www.nice.org.uk/guidance/cg192
- FDA (EUA). Boxed warning for benzodiazepines, 2020. https://www.fda.gov/drugs/drug-safety-and-availability/fda-requiring-boxed-warning-updated-improve-safe-use-benzodiazepine-drug-class
- Organização Mundial da Saúde. CID-11 (MB23.H; 6B01). https://icd.who.int/browse/2024-01/mms/pt
- Mental Health First Aid International. Panic Attacks: First Aid Guidelines, 2022. https://www.mhfa.com.au/wp-content/uploads/2023/12/MHFA_Panic-Attacks-Guidelines.pdf
- Seattle Children’s. Panic attack. https://www.seattlechildrens.org/conditions/a-z/panic-attack/
- Linehan MM. DBT Skills Training Handouts and Worksheets (2ª ed., 2015) — habilidade TIPP.
Estudos
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- Centro de Valorização da Vida (CVV). https://cvv.org.br/
